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segunda-feira, junho 12, 2017

Lava Jato denuncia ex-gerente da Petrobras por receber US$ 4,8 milhões de propina

Ex-gerente da Petrobras Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos foi preso na 41ª fase da Lava Jato (Foto: Rodrigo Fonseca)

A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou nesta segunda-feira (12) o o ex-gerente da área internacional da Petrobras Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-funcionário da estatal foi preso na 41ª fase da operação, em 25 de maio, no Rio de Janeiro. Ele foi levado para Curitiba, onde segue preso.
Segundo a acusação, Bastos recebeu US$ 4,8 milhões em propinas em uma conta offshore na Suíça, da qual era beneficiário. Em contrapartida, utilizou-se do cargo para dar amparo técnico a um negócio envolvendo a venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África, para a Petrobras, em 2011.
O esquema relatado na denúncia é o mesmo pelo qual o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada já foram condenados, em outro processo da Lava Jato.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), um relatório da Comissão Interna de Apuração da Petrobras, que investigou os fatos, apontou que Bastos foi responsável por uma série de irregularidades. Por isso, ele foi demitido por justa causa, no segundo semestre de 2016.
O G1 tenta contato com a defesa de Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos.
Investigação
A apuração dos fatos envolvendo a aquisição do campo de Benin começou em agosto de 2015, quando documentos enviados pelo Ministério Público suíço ao Brasil comprovaram o pagamento de subornos num total de US$ 10 milhões para concretizar o negócio da Petrobras, conforme o MPF.
A investigação revelou que, em 3 de maio de 2011, o preço da aquisição do campo de Benin (US$ 34,5 milhões) foi transferido pela Petrobras para a empresa CBH. Na mesma data, US$ 31 milhões seguiram da companhia CBH para a Lusitania Petroleum LTD, outra empresa do mesmo grupo econômico da CBH.
Em 5 de maio de 2011, a Lusitania depositou US$ 10 milhões, em favor da offshore Acona, de propriedade de João Augusto Rezende Henriques - ja condenado na operação. Para dar aparência legítima para a transferência da propina, foi celebrado um contrato de comissionamento entre a Acona e a Lusitania.

Em 19 de setembro de 2012, a conta da Acona ainda recebeu uma segunda transferência da Lusitania Petroleum no valor de USD 11,75 milhões. A partir da Acona, a propina passou a ser distribuída para várias contas, a maior parte de titularidade de outras empresas offshores.
Em agosto de 2015, a documentação recebida da Suíça já permitiu rastrear US$ 4,8 milhões em favor da conta Sandfield que, mais recentemente, foi identificada como pertencente a Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos.
Segundo o procurador da República Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, “o mesmo esquema da venda do campo de petróleo de Benin envolveu o pagamento de propina a outros destinatários, além dos que já foram denunciados. Dessa forma, as investigações continuam para identificação de todos os envolvidos nos crimes cometidos”.

Fonte: G1

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