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quarta-feira, junho 28, 2017

Perito de Temer diz que laudo da PF em gravação é evasivo e não conclusivo

O perito Ricardo Molina, durante entrevista em Brasília nesta terça (27) (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa do presidente Michel Temer para analisar a gravação de Joesley Batista de uma conversa que ele teve com Temer, disse nesta terça-feira (27) que a perícia da Polícia Federal é "evasiva" e não é "conclusiva nem "categórica".
O G1 buscava contato com a assessoria da PF até a última atualização desta reportagem.

Nesta segunda (26), Temer foi denunciado pela Procuradoria Geral da República pelo crime de corrupção passiva com base nas delações da JBS. Para o presidente, a denúncia o torna "vítima de infâmia de natureza política", é uma "peça de ficção" e cria uma nova categoria no Código Penal, a "denúncia por ilação".
Desde que o áudio da conversa entre o presidente e Joesley Batista se tornou conhecido, um dos principais argumentos da defesa de Temer é que a gravação foi adulterada. Para a PF, não há edições.
"Esse laudo [da PF] é cheio de evasivas. É cheio de compatibilidades, plausibilidades, indicativos. Ele nunca é conclusivo nem categórico", afirmou Molina nesta terça.
Ele questionou as expressões utilizados pelos peritos da Polícia Federal no laudo apresentado.
“O que quer dizer consistente? Plausível? Indicativo? Tem certeza? Talvez seja? É provável. Eu pediria esclarecimentos a respeito dessas palavras”, disse.
Molina, em seguida, criticou o trabalho da PF que, segundo o perito, não respondeu a 12 perguntas apresentadas por ele.
"Questionei se as descontinuidades podem ser artificialmente criadas em programas de áudio. Eu digo, com certeza: eu posso criar descontinuidades iguais àquelas da gravação em programas editores de áudio", declarou.
“O argumento que eles usam é infantil. Eles dizem que o programa editor de áudio mudaria o cabeçalho do programa. Ora, qualquer nerd de 16 anos sabe que ele tem que reconstruir o cabeçalho do programa [...]. Dizer que aquilo é prova que saiu do gravador é tripudiar da inteligência do leitor. Gostaria que explicassem como eles têm certeza disso [de que não houve descontinuidades criadas]”, completou.
Segundo o perito, 6 minutos e 18 segundos de áudio do diálogo com Temer foram perdidos na gravação e que, somente no trecho em que, supostamente, Temer dá o aval para o pagamento de propina a Eduardo Cunha, há cinco descontinuidades.
“Esse material pode ser perdido enquanto o presidente falava. Portanto nada garante que grande parte do que o presidente falou esteja dentro [do que se perdeu]”, opinou Molina.
Para o perito, somente no trecho em que, supostamente, Temer dá o aval para o pagamento de propina a Eduardo Cunha, há cinco descontinuidades.
“Aquele diálogo para mim não significa nada. Eu não sei o que o presidente falou ali”, disse.
Questionado sobre as afirmações da Polícia Federal de que o diálogo tem sequência lógica, Molina disse que os peritos do órgão não têm competência para avaliar o que é lógico.
“A questão da lógica em conversas coloquiais é bem complicada. A Polícia não tem competência para avaliar isso. Se fosse um linguista, um especialista em análise de discurso... Um agente da PF não tem competência para julgar coerência lógica”, ressaltou.
Ricardo Molina também criticou a qualidade e a credibilidade da gravação, e disse que o áudio é "imprestável" e, juridicamente, "inaceitável".
"Vinte e três por cento da conversa desapareceram [...] e é lógico que isso prejudica a gravação e é lógico que essa gravação não pode ser aceita judicialmente. Em qualquer processo judicial essa gravação seria descartada, é imprestável, a não ser em um processo político. Essa gravação não é juridicamente aceitável", declarou.
Molina também disse que não é possível afirmar que as gravações não sofreram intervenções humanas e disse que o gravador utilizado é de baixa qualidade.
“Eu vou gravar o presidente da República e compro um gravador de R$ 26”, ironizou.
Questionado sobre o fato de Temer não ter negado o conteúdo das conversas, Gustavo Guedes, um dos advogados do presidente, indagou: “Você quer que o presidente lembre a frase que ele disse em uma conversa? Eu não acho isso razoável”, disse.
'Açodamento'
Para o advogado de Temer, houve “açodamento” por parte do Ministério Público e da Polícia Federal no caso que geram “ilações”.
“O atropelo das fases do inquérito só pode significar uma coisa. Quanto menos prova mais ilação se tem em uma investigação [...]. Quanto mais açodamento se faz numa investigação sem cumprir os ritos e requisitos, o resultado é esse, menos prova e mais ilação”, declarou.
Guedes explicou que a defesa está avaliando a possibilidade de fazer questionamentos sobre o relatório dentro do processo, mas que ainda não há uma data para isso.
“A gente vai pedir que a Polícia Federal reveja as conclusões a partir das perguntas da nossa perícia. Claramente nós temos 12 perguntas que não foram respondidas e é razoável que elas devam ser respondidas. O momento e a forma ainda não estão decididos”, finalizou.

Fonte: G1

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