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quinta-feira, julho 06, 2017

Justiça encontra R$ 350 milhões nas contas bloqueadas na Operação Ponto Final

Justiça encontrou R$ 335 mil na conta pessoal de Jacob Barata Filho (Foto: Reprodução/Globo)

O Banco Central encontrou cerca de R$ 350 milhões nas contas de 44 empresários e empresas relacionadas ao esquema de corrupção no setor de transportes no Rio de Janeiro. A medida determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, previa o bloqueamento de R$ 520 milhões das contas. O rastreamento do BC encontrou R$ 86,7 milhões na conta da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor).
O valor de R$ 520 milhões foi determinado pelo magistrado por ser, de acordo com a investigação, o total desviado no esquema de corrupção. O montante foi estipulado para as empresas de ônibus e os principais envolvidos — incluindo outras companhias ligadas aos empresários, donos das empresas.
O Ministério Público Federal identificou pagamentos de R$ 260 milhões a políticos e empresários do RJ entre 2010 e 2016. O restante dos recursos, por ter sido destinado a investigados com foro privilegiado, está sendo investigado pela Procuradoria Geral da República.
“Cabe frisar que se está diante de empresários do setor dos transportes, que supostamente, movimentam, através de suas empresas de ônibus e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), vultosas quantias direcionadas à organização criminosa, com o fito de manter privilégios no referido setor”, escreveu Bretas em sua decisão.
Além dos R$ 86, 7 milhões da conta da Fetranspor, a Justiça encontrou R$ 8,8 milhões na conta do Sindicato das Empresas de Ônibus (RioÔnibus). Outro grande valor (R$ 53 milhões) estava na conta da Guanabara Diesel Comércio e Representações, empresa ligada a Jacob Barata Filho. Na conta pessoal de Barata Filho, a Justiça encontrou R$ 335 mil.
Na conta de Carlos Miranda, apontado pelo Ministério Público Federal como operador do ex-governador Sérgio Cabral, foram encontrados pouco mais de R$ 17 mil. Não havia dinheiro na conta do ex-governador Sérgio Cabral.
"A nossa preocupação é que essa decisão atinja terceiros, [como] Supervia, Metrô, Barcas. Até vans, que são de pessoas físicas. A gente acredita que o dr. Bretas não foi devidamente informado sobre o alcance dessa decisão. Esperamos que tão logo ele seja informado, que ele reconsidere", explicou Carpenter. Na quinta-feira (6), a defesa da Fetranspor irá pedir que Bretas reavalie a decisão.
Operação Ponto final
A decisão de Bretas vem na esteira da realização da Operação Ponto Final. Na segunda-feira pela manhã, policiais federais foram para as ruas do Rio para mais uma etapa da Operação Lava Jato no Rio. O foco da ação era cúpula do transporte rodoviário do estado.
Ao fim do dia, os agentes conseguiram cumprir onze mandados de prisão expedidos pelo magistrado. Um dos suspeitos de envolvimento no esquema é considerado foragido.
As investigações do MPF indicam que o esquema descoberto a partir de acordos de colaboração premiada é um dos mais antigos do Rio pois "prosperava" no estado desde a década de 90. Porém, a ação atual focou nos anos da administração de Sérgio Cabral e identificou pagamentos da ordem de R$ 260 milhões em propina pelos investigados a políticos e agentes públicos. Os pagamentos ocorriam em troca de vantagens no setor de Transportes.
Algumas desses benefícios incluíam subsídios em impostos e autorização para o aumento de tarifas acima do estipulado em estudos, segundo o MPF. Entre os presos na operação estão antigos e conhecidos empresários do setor dos Transportes. Por exemplo, Lélis Teixeira, presidente Fetranspor, e agentes públicos, como Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro).
Na noite de domingo (2), a força-tarefa da Lava Jato antecipou parte da operação e cumpriu um mandado de prisão contra Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio. Ele foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim ao tentar embarcar para Lisboa, Portugal.
A polícia suspeita que Barata ficou sabendo da operação e tentava fugir – a defesa do empresário, no entanto, nega. Investigações do Ministério Público Federal e da PF encontraram indícios de que o empresário teria pago milhões em propina para políticos do Rio.
Veja lista de presos
Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes, suspeito de ter recebido R$ 23 milhões em propina (preso)
Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do RJ (Detro), suspeito de receber R$ 44 milhões (preso)
Lélis Teixeira, presidente da Federação das Empresas de Transporte do RJ (Fetranspor), suspeito de receber R$ 1,57 milhões (preso)
José Carlos Reis Lavoura, conselheiro da Fetranspor, suspeito de receber R$ 40 milhões (está em Portugal e a PF acionará a Interpol para inclusão na difusão vermelha)
Marcelo Traça Gonçalves, presidente do sindicato de ônibus e apontado como realizador dos pagamentos (preso)
João Augusto Morais Monteiro, sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus, suspeito de receber R$ 23 milhões (preso)
Cláudio Sá Garcia de Freitas (preso)
Márcio Marques Pereira Miranda (preso)
David Augusto da Câmara Sampaio (preso)
Carlos Roberto Alves (preso)
Enéas da Silva Bueno (preso)
Octacílio de Almeida Monteiro (preso)

Fonte: G1

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