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quarta-feira, agosto 02, 2017

Em meio à crise, secretário de saúde do Rio pede licença do cargo

Pacientes no corredor do Hospital Lourenço Jorge são um dos sinais de precariedade nas unidades de saúde do Rio (Foto: Cremerj/ Divulgação)No meio da crise na saúde pública do Rio, o secretário municipal da pasta, Marco Antônio de Mattos, se licenciou do cargo por 10 dias. A confirmação ocorreu um dia após a notícia, não confirmada pela prefeitura, do fechamento de 11 clínicas da família na Zona Oeste. Segundo a prefeitura, o afastamento se deu para que Mattos possa acompanhar o tratamento médico de um familiar, e já começa oficialmente nesta quarta-feira (2). Durante sua ausência, a subsecretária geral, Ana Beatrz Busch, responderá pela pasta
Nesta terça-feira (1), o fim de contrato entre a secretaria municipal de saúde e a organização social Labas causou impasse e gerou temor entre pacientes e funcionários. O G1 apurou que o acordo sobre investimentos em clínicas da saúde tinha vigor até a última segunda-feira (31). O contrato ainda não foi renovado, o que gerou o temor em funcionários de que algumas clínicas da família serão fechadas. No entanto, a Prefeitura do Rio negou o fechamento das unidades.
O RJTV percorreu três unidades de clínicas e constatou que funcionários e pacientes receberam a informação de que os serviços seriam interrompidos. Segundo os pacientes de clínicas como a Maycon Siqueira, em Curicica, médicos não estavam fazendo o atendimento já na terça (1).
Vereador fala sobre possíveis fechamentos
O vereador Paulo Pinheiro (Psol) afirmou ao G1 que 11 unidades da Zona Oeste teriam as atividades suspensas a qualquer momento. De acordo com ele, a gestão do prefeito Marcelo Crivella não teria fundos suficientes para renovar o contrato que expirou.
“Da mesma maneira que fechou a emergência do [hospital] Pinel, onze clínicas da família em Jacarepaguá estão sendo fechada pela OS Iabas. Por falta de recursos, a prefeitura falou que não tem como estender o contrato e vão fechar as clinicas da família. São 89 equipes que serão demitidas, sendo que cada equipe conta com 8 a 12 pessoas”, disse Paulo Pinheiro.
Ainda de acordo com o vereador, os funcionários dessas unidades seriam demitidos, entre eles estão agentes comunitários, médicos, enfermeiros e técnicos. Pinheiro apontou a queda na receita do município e um mau planejamento da gestão municipal anterior para o possível fechamento das unidades.
“São dois motivos principais que levam a essa situação da saúde. Uma queda de receita, a prefeitura não está conseguindo arrecadar em 2018. Além disso, um legado da saúde mal planejado pela gestão do Eduardo Paes. Juntando as duas coisas chegamos a esta situação”, disse Paulo Pinheiro.
O parlamentar classificou como "bastante delicada" a situação da saúde no Rio em função de medidas adotadas pela prefeitura no ano passado. "A gestão anterior abriu, no ano passado, 35 novas unidades, sem que orçamento previsse a verba para que funcionassem. Só isso já representa um rombo de R$ 500 milhões. Também há R$ 300 milhões já empenhados na compra de materiais para os quais não houve previsão. Só essas duas situações já representam um buraco de R$ 800 milhões de verba não prevista", disse.
Prefeitura nega fechamento de clínicas
A Prefeitura do Rio informou que a informação do vereador Paulo Pinheiro (Psol) de que haverá fechamento de Clínicas da Família é falsa. De acordo com o posicionamento, a "saúde é prioridade do governo Marcelo Crivella. A atual administração está fazendo todo o esforço para desatar o nó do orçamento da cidade".
Além disso, a Prefeitura disse que medidas com o objetivo de aumentar a arrecadação do município estão sendo adotadas, além de cortes de despesas em todas as pastas.
Sem vigilância e sem insumos
A situação no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, é de penúria. A unidade está sem segurança. Isso porque os vigilantes pararam de trabalhar porque não estavam sem receber salário desde o início do ano. A prefeitura não estaria fazendo os repasses a empresa que presta o serviço. O pessoal da cozinha também está sem receber.

Além da vigilância, o Lourenço Jorge também sofre com a falta de insumos básicos, como papel higiênico, papel toalha, álcool e material cirúrgico. Além disso, faltam maqueiros. São os acompanhantes dos pacientes que estão fazendo o trabalho de conduzir as macas pelos corredores da unidade.
Situação semelhante se repete em outros hospitais do município. Uma funcionária da maternidade Alexandre Fleming, em Marechal Hermers, por exemplo, disse que também faltam insumos e vigilantes por lá. "O pessoal tá sendo assaltado na porta da unidade", contou. No Hospital Salgado Filho, no Meier, também há queixas sobre falta de vigilância. E no Souza Aguiar, no Centro, a unidade coronariana pode fechar por falta de médicos, luvas e gazes.
Colapso no sistema de saúde do estado
O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Nelson Nahon, afirmou que o Rio de Janeiro vive atualmente "um estado de calamidade pública na saúde". Segundo ele, se não houver investimentos financeiros em caráter de urgência, todo o sistema de saúde poderá entrar em colapso.
Nahon destacou que os profissionais da saúde estão trabalhando sob intensos níveis de estresse por causa da precariedade das unidades médicas. Enfatizou, porém, que os pacientes são os mais prejudicados pela crise na área da saúde.
"A população está totalmente desassistida nesse momento no Rio de Janeiro correndo um risco sério de sequelas graves em sua saúde e até de morte por falta de atenção", afirmou o presidente do Cremerj.

Fonte: G1

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