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quinta-feira, agosto 03, 2017

Executivo da BRF renuncia após condenação por fraude

O executivo José Roberto Pernomian Rodrigues renunciou na quarta-feira (2) ao cargo de diretor vice-presidente da BRF, após ser condenado a cinco anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
A informação foi divulgada pela BRF em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Rodrigues foi condenado por fraudes em importação de equipamentos eletrônicos quando era diretor da Mude, empresa que representa a norte-americana Cisco no Brasil.
Segundo a empresa, a decisão da Justiça trata de situações ocorridas há mais de 10 anos e "não tem qualquer relação com as atividades do executivo na BRF". "Apesar disso", diz a empresa, "o sr. José Roberto apresentou, nesta data, renúncia ao cargo de diretor vice-presidente, por entender ser a medida mais adequada neste momento".
A BRF informou que o cargo ficará vago até nova decisão do conselho de administração.
Rodrigues é considerado nome de confiança de Abílio Diniz, atualmente presidente do Conselho de Administração da BRF. Além dele também foram condenados outros cinco executivos: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Alvaro Sampaio; Reinaldo de Paiva Grillo.
Operação Persona
As investigações começaram em outubro de 2007 durante a Operação Persona, da Polícia Federal, Receita e Ministério Público Federal de São Paulo, que apurou a atuação das empresas Cisco e Mude na montagem de uma cadeia de empresas nos EUA e Brasil para prática de fraudes no comércio exterior.
De acordo com a Receita Federal, o esquema teria levado à sonegação de R$ 1,5 bilhão em impostos à época. Rodrigues chegou a ser preso, mas foi solto em dezembro de 2007 por determinação da 4ª Vara Criminal de SP. Ele continuou como réu no processo.
Rodrigues foi condenado em 2011 pela 4ª Vara Federal de São Paulo e recorreu. Na sentença, o desembargador Nino Toldo manteve a condenação, mas mudou o regime de cumprimento da pena para o semiaberto.
Ele poderá trabalhar de dia, mas terá que dormir na prisão. O advogado Antonio Ruiz Filho, que representa os cinco réus, disse que entrou com um recurso contra a decisão na quarta-feira (2).

Operação Carne Fraca
Em março, durante a Operação Carne Fraca, a Justiça Federal de Curitiba expediu mandato de condução coercitiva contra Rodrigues. A PF chegou a pedir o afastamento do executivo da vice-presidência da BRF, argumentando que ele usava suas funções para atrapalhar a continuidade das diligências e constranger testemunhas. O pedido foi negado pela Justiça.

Fonte: G1

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