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sexta-feira, agosto 04, 2017

Transferência de Neymar ao PSG é golpe de ‘soft power’ do Catar a países do Golfo, dizem especialistas

Vista aérea de Doha, capital do Catar (Foto: REUTERS/Fadi Al-Assaad/File Photo)A transferência do fenômeno brasileiro Neymar ao Paris Saint-Germain (PSG) representa uma estratégia de marketing e um golpe de ‘soft power’ do Catar contra os países do Golfo que cortaram relações diplomáticas com o emirado. Esta é a análise de especialistas ouvidos pela agência de notícias France Presse e do comentarista da GloboNews, Marcelo Lins.
Neymar se tornou o jogador mais caro da história do futebol, com o pagamento da cláusula de rescisão no valor de € 222 milhões (R$ 812 milhões).
Segundo Mathieu Guidere, especialista em geopolítica do mundo árabe consultado pela AFP, o anúncio da transferência do jogador ao PSG, que é de um fundo de investimentos do Catar, “foi testado entre catarianos como uma espécie de estratégia de comunicação que ofuscaria o debate em torno de outras considerações, como o terrorismo”.
Marcelo Lins, comentarista da GloboNews, afirmou que a transferência beneficia a imagem do Catar. "Um pequeno país riquíssimo em petróleo, do Golfo, que bota tanto dinheiro para dar alegria a uma torcida, ou a milhões de torcedores espalhados pelo mundo... você tem uma volta disso na imagem do Catar, que é muito grande", disse à GloboNews. "É uma grande jogada de marketing do Catar como um todo", acrescentou.
O Catar enfrenta a sua pior crise política em décadas, com a Arábia Saudita e outros países do Golfo tendo cortado relações diplomáticas com o emirado por acusações de apoio a grupos terroristas. O Catar nega as acusações e diz que o objetivo é prejudicar o emirado rico em gás.
Com a transferência de Neymar, Doha pode estar de olho em investir em ‘soft power’. O conceito de ‘soft power’ (‘poder suave’, em tradução livre) foi elaborado para definir a influência de países nas relações internacionais por meio de investimentos em ações positivas.
“Esse é um golpe de ‘soft power’. O Catar precisa demonstrar ao mundo que, apesar de todas as acusações, é o país mais resiliente no Oriente Médio”, disse à AFP Andreas Krieg, analista de risco político no King’s College de Londres. “Ter o melhor jogador do mundo mostra ao resto do mundo que se o Catar é determinado, eles ainda têm os maiores recursos para tirar e, se necessário, usar o dinheiro que têm para promover a sua agenda”, acrescentou.
O custo da transferência de Neymar "envia um sinal muito forte para o mundo esportivo e um sinal muito forte de desafio contra os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita", disse Kireg. "Eles queriam esse jogador e usaram o dinheiro para comprá-lo a qualquer preço".
Crise no Golfo
O Catar é um minúsculo estado em uma península posicionada no meio do Golfo Pérsico, com uma extensão territorial que equivale a metade do estado de Sergipe e uma população comparável ao estado de Rondônia.
Mas esse pequeno emirado é uma das maiores potências energéticas do mundo, contando com a terceira reserva de gás natural do planeta e importantes jazidas de petróleo.
Líbia, Iêmen, Egito, Arábia Saudita, Bahrein e os Emirados Árabes Unidos anunciaram que cortaram as relações diplomáticas com o Catar, acusado de criar instabilidade na região do Golfo Pérsico, ao apoiar grupos terroristas. O Catar diz que o rompimento é injustificado.
Em junho, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein apresentaram uma lista de 13 demandas para que o Catar se comprometa a combater o extremismo e terrorismo e negociar um plano com medidas específicas para implementá-los. Entre as demandas estavam o fechamento da emissora de TV Al Jazeera e a expulsão de tropas turcas no país.
O governo catariano se recusou a atender às demandas, mas o emir do Catar, o sheik Tamim Ben Hamad Al Thani, disse estar disposto ao diálogo com para solucionar a crise.

Fonte: G1

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